Dilma e a faxina ministerial

On 29 de agosto de 2011, in Política, by admin

Dilma Rousseff, de títere do ex-presidente Lula, passou a ser uma figura de real poder do governo brasileiro e protagonista da nação. De quebra, ainda ganhou a empatia de seus antigos opositores ao promover uma faxina no sistema político nunca antes vista na história deste país. Mas suas atitudes politicamente corretas podem acabar por isolá-la em seu gabinete.

Nasci e fui criada em uma família essencialmente petista, opção política óbvia para meus parentes que vieram da zona rural e conseguiram conquistar São Paulo graças ao seus empregos nas grandes metalúrgicas. Em 2002, com 17 anos e orgulhosa do título de eleitor recém adquirido, fui pela primeira vez às urnas vestindo uma camisa vermelha. Obviamente o número 13 foi o mais digitado naquele fatídico Outubro.

3 anos depois, senti pela primeira vez o gosto amargo de confiar o poder à alguém que jogou os princípios de ética e honestidade no lixo. O chamado Escândalo do Mensalão abalou a cega confiança que muitos jovens petistas como eu tinha em Lula. Percebi em meus colegas de geração que o fato ocasionou a migração destes jovens votantes no PT para outros partidos de “esquerda” como PV, PSOL, PSTU. Outros, em um ímpeto reacionário, se voltaram para o PSDB e até o DEM, ou qualquer coisa mais “central” e “direitista” que pudesse derrubar os mensaleiros impunes.

Partindo para uma linha mais feminista, e ainda assim antipetista, votei em Heloísa Helena e Marina Silva no primeiro turno das duas últimas eleições presidenciais. No segundo turno das mesmas, fiz questão de exercer o meu direito democrático de anular o voto por não concordar com nenhum dos candidatos disponíveis e aceitar o vencedor escolhido pela maioria, fiscalizando através da mídia o que este faria com a nação.

Em todo este contexto, sempre considerei Dilma Rousseff um mero fantoche do alto escalão do PT para ainda manter o governo por 4 anos e, em 2014, termos o retorno triunfal de Lula ao poder nos braços fortes do povo com seus estômagos abastecidos pelo Bolsa Família. Desde que Dilma assumiu, ouvi as mais cabeludas histórias dos “reaças” de plantão. A mais interessante (ou hilária) delas, era a de que o PMDB iria aplicar um golpe na presidente com a ajuda militar e, com isso, colocar o caquético Michel Temer no poder. Lorotas típicas de tucanos, oriundas de suas mentes perdidas graças à ausência de uma figura forte e convincente no atual contexto do PSDB.

Apesar destas teorias conspiratórias e a falta da experiência de Dilma em cargos eletivos, meu lado feminista torcia secretamente para que nossa primeira “presidenta” nos surpreendesse positivamente, afinal o Brasil está há tempos precisando de uma real e profunda mudança em suas bases políticas. E eis que o improvável ocorreu! Começou com a queda de Palocci, depois foram as jocosas palavras de Nelson Jobim para a substituta Gleisi Hoffmann e então a troca ministerial não teve mais freios.

De manipulada, Dilma passou a manipular o jogo político ao promover a limpeza em massa do sistema de governo, passando pelo alto escalão dos ministérios do Turismo, Agricultura e Transportes. Para quem a via como desconhecida ou com grande desconfiança, a atitude de varrer a corrupção gerou aprovação geral de vários setores da população brasileira e de partidos antes opositores. O  alívio para quem duvidava de sua capacidade de liderança também foi evidente, ainda mais após a conquista do seu título como a terceira mulher mais poderosa do planeta, segundo a conceituada revista Forbes.

A questão é que apenas o povo e a oposição anti-petista está gostando da face faxineira de Dilma. O centrão comandado pelo PMDB está ameaçado, mas ainda anda livre pelo governo. Já o alto escalão lulista do PT, este sim está com os cabelos em pé. Prova disso é a mais recente capa da Revista Veja, mostrando José Dirceu como o poderoso chefão que, apesar de ter sido afastado da política com o escândalo do mensalão, ainda mostra suas forças criando um gabinete paralelo em Brasília que conspira contra a “presidenta”. O que Dilma fará desta vez, se o alvo é alguém sem cargo dentro do governo mas com poderosa influencia em seu partido natal?

Dilma parece sozinha em sua luta contra os corruputos e seu crescente isolamento no cabinete me preocupa. Não temo que ela vá ter um ímpeto Jânio Quadros e deixar as “forças ocultas” tirá-la da presidência, porém tenho consciência que um presidente, por melhor que ele seja, sem base de apoio nada consegue conquistar. Vide Obama e seus recentes desentendimentos com o Congresso norte-americano que tem contribuido ainda mais para a crise nos Estados Unidos.

A incógnita permanece, deixando analistas políticos sem conseguir brincar de futorologia e afirmar, com alguma base mais consistente, o que o brasileiro deve esperar nas eleições de 2014. Eu, particularmente, aguardo silenciosa pelo retorno de Marina Silva com seu partido próprio e muito mais força para ser uma terceira via realmente ameaçadora. Meus desejos políticos ainda anseiam pela implosão do PT por seus próprios aliados, o PSDB ainda mais perdido sem um líder aos moldes de FHC que os guiem e o PMDB caminhando para a tumba com múmias como o Sarney enterradas definitivamente. Mas o que mais posso dizer e querer? Sou apenas uma jovem cidadã com pouca carga democrática nas costas e ainda muitas eleições para amargar o gosto da corrupção e impunidade entre os lábios e votos virtuais.

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